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06/06/2008

A BATALHA É REAL

por MARIEL MARRA[1]

INTRODUÇÃO

O presente artigo adotou a metodologia de ver, julgar e agir, em que num primeiro momento buscou ver a realidade sócio-político-econônica-cultural do Brasil, a partir de dados divulgados pelo IBGE, Fundação Getúlio Vargas e do PNUD, o qual em parceria com a UFMG, em 2005 divulgou uma importante pesquisa sobre a realidade brasileira. No segundo momento desse artigo buscou-se julgar essa realidade pelas escrituras, para finalmente apontar ações cabíveis para a igreja evangélica brasileira.

1. UM OLHAR SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)[2] é a rede global de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas, presente em 166 países. O PNUD é uma das 18 agências, fundos e programas da ONU presentes no Brasil, em que muitas iniciativas conjuntas estão em andamento através de oito grupos temáticos do Sistema ONU no país (Objetivos do Milênio, Mudanças Climáticas, HIV/Aids, Prevenção de Crimes e Violência, Gênero e Raça, Operações e Gerenciamento, Cooperação Sul-Sul e Comunicação).

Segundo dados divulgados por este programa em 2005, observou-se que durante o período de 1980-2000, não houve nenhum avanço na diminuição das diferenças entre negros e brancos pobres, sendo que a proporção de negros abaixo da linha de pobreza[3] no total da população negra no Brasil é de 50%, enquanto que é de 25% a de brancos no conjunto da população branca, desde 1995[4]. Isto é, metade dos negros brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, ao passo que entre os brancos brasileiros, apenas ¼ vive abaixo da linha da pobreza.

O que é lamentável, pois constatar pelos dados do PNUD que em vinte anos as diferenças não foram alteradas, ou seja, em relação a situação sócio-econômica dos pobres e dos negros no Brasil, nada mudou desde o início da década de 1980, quando começa a análise estatística contida no Atlas Racial Brasileiro[5], o qual também demonstra que no Brasil, 65% dos pobres e 70% dos indigentes[6] são negros.

Sabe-se que existem razões históricas que explicam a realidade contemporânea. Segundo Schwarcz (1998, p. 173-244) a escravidão de negros no Brasil durou mais de três séculos e trouxe para o país "3,6 milhões de africanos trazidos compulsoriamente" Estes, ao se tornarem propriedades de quem os comprava, eram por definição não-cidadãos, considerados inferiores. E, como lembra Lilia Moritz Schwarcz em seus estudos sobre racismo e desigualdade social, após a abolição da escravatura, a liberdade não significou a igualdade.

Segundo Lima (2006, p.68-101) foram cerca de 11 milhões de africanos trazidos para as Américas como escravos, no mais longo processo de imigração forçada da história da humanidade. Destes, aproximadamente quatro milhões ou mais foram transportados para o Brasil. Ou seja: 40% dos africanos escravizados o foram para vir trabalhar no nosso país: para plantar comida e produtos agrícolas de exportação (como a cana-deaçúcar, o tabaco, o algodão, o cacau, o café), para extrair ouro e diamantes das minas, para carregar tudo que fosse necessário, para construir casas, igrejas e ferrovias, para abrir e pavimentar ruas.

Nessa perspectiva é possível dizer que no Brasil ainda hoje existe escravidão, contudo atualmente é uma escravidão-livre, sendo que as correntes que prendem o povo negro, não são mais correntes de ferro, mas sim correntes sócio-político-econômicas-culturais, as quais se manifestam na indiferença, no racismo e nos mecanismos que trabalham em favor das elites dominantes.

Observa-se segundo dados do censo IBGE(2000), que a igreja evangélica brasileira tem apresentado crescimento de mais de 2500% em 60 anos (1940 e 2000), e uma pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas de maio/2007 aponta que no Brasil, o número de evangélicos brasileiros seria de 33,7 milhões (18% da população brasileira) e que destes, cerca de 9 milhões são da igreja pentecostal Assembléia de Deus.

Este estudo do IBGE também revelou que dos evangélicos brasileiros, cerca de 11 milhões são negros, e que desses, 8 milhões possuem o pentecostalismo como confissão de fé, ao passo que a população negra de umbandistas e candomblecistas não alcança 253.000 pessoas.

Nota-se então que boa parte do pentecostalismo brasileiro é formado por negros, correspondendo a 6,39% da população brasileira. Um dado relevante em um país onde 65% dos pobres e 70% dos indigentes são negros.

Porém antes de prosseguir é preciso que fique bem explícito aquilo que está se chamando de pentecostalismo no Brasil.

Segundo Leonildo Silveira Campos (1999, p.51), no Brasil, o sub-campo religioso pentecostal pode ser classificado de vá­rias maneiras, dependendo do critério adotado pelo analista. Assim, encontram­-se referências a um "pentecostalismo clássico", cujos representantes principais são a Igreja Assembleia de Deus e a Congregação Cristã no Brasil. Um pentecostalismo de "segunda onda", conforme Paul Freston (1993), ou "de cura divina" conforme Mendonça (1989), o qual é formado pelas denominações "O Brasil para Cristo", "Deus é Amor" e "Evangelho Quadrangular". No extremo da escala, encontra­m-se a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Sara a Nossa Terra, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Nacional Palavra da Fé, dentre outras, as quais são consideradas no modelo de Frcston como um pentecostalismo de "terceira onda", ou "pentecostalismo autónomo", pelo grupo do CEDI, ou ainda "neopentecostalismo", segundo Mendonça (1994) e Mariano (1995).

Para Leonildo Campos (1999, p.51) as tipologias empregadas para a classificação do fenômeno religioso no Brasil, principalmente o pentecostal, tomam por base a data da chegada de seus pregadores ao País ou a de fundação do movimento. Portanto, são cri­térios históricos e de antiguidade, o que fica bem claro na tipologia de Paul Freston, que usa uma analogia física - "ondas" - para se referir ao início, ex­pansão e reversão desses movimentos religiosos no decorrer do tempo. A difi­culdade do modelo está na difícil separação entre as igrejas e movimentos de "segunda onda" dos de "terceira onda". Pois, além da Igreja do Evangelho Quadrangular (Cruzada Nacional de Evangelização), as igrejas fundadas por Manoel de Melo, Igreja Evangélica Pentecostal "O Brasil para Cristo", e David Martins de Miranda, Igreja Pentecostal "Deus é Amor", essas já trazem em si muitas das características desenvolvidas posteriormente pelas igrejas de "terceira onda", principalmente a Igreja Universal do Reino de Deus de Edir Macedo.

Leonildo Campos (1999, p.51) diz que o modelo tricotomista de Freston, pode ser contraposto pelos modelos dualistas de tipologias propostas por Mendonça e pelo grupo articulado ao redor do CEDI, no sentido de que o "pentecostalismo clás­sico" é colocado em oposição a uma situação nova, que, para Mendonça, parece ser um "pentecostalismo de cura divina" e, para o grupo do CEDI, segundo Bittencourt um "pentecostalismo autônomo". Freston e Mariano discutem tais classificações e ambos observam que Mendonça consi­dera as novas igrejas, oriundas desse novo momento de expansão pentecostal, meras "agências de cura divina", incapazes de gerar comunidades, dada a exis­tência de uma massa portadora de interesses utilitários.

No século XX notou-se também uma crescente pentecostalização das comunidades protestantes de classe média e alta, tais como presbiterianas, metodistas, batistas e outras, dando origem ao que se chamou de renovação espiritual, sendo a Igreja Batista da Lagoinha, o palco dessa transformação ocorrida na década de 60[7].

2. JULGANDO A REALIDADE PELAS ESCRITURAS

Observa-se que a igreja evangélica tem crescido abundantemente no Brasil nas últimas décadas, contudo pouca transformação sócio-político-econômica-cultural é percebida no país. Dados de pesquisas estatísticas de importantes órgãos brasileiros mostram quantitativamente que em 20 anos, tanto o negro quanto o branco pobre, ambos vivendo abaixo da linha da pobreza. Mesmo diante de dados apontando para a conversão ao protestantismo de muitos brasileiros, os quais já correspondem a 18% da população brasileira, sendo que dentre esses, 6,39% da população brasileira correspondem aos negros convertidos ao pentecostalismo. Isso em um país onde 65% dos pobres e 70% dos indigentes são negros, e que mesmo com o avanço da igreja evangélica brasileira, nada foi percebido em relação ao quadro de desigualdade social e racial no Brasil.

 

Mateus 7:20  “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”.

 

Em algumas denominações do pentecostalismo brasileiro, pode-se perceber a “marketização” do Sagrado, e inúmeras promessas de uma vida abundante por meio da Teologia da Prosperidade. A retórica usada por elas, buscam a auto-legitimação e a plausibilidade diante de um mundo secularizado, usando a apresentação de resultados positivos em forma de testemunhos, supostamente bem sucedidos, após freqüência de seus cultos e campanhas de oração, as quais envolvem altas somas em dinheiro doado para essas instituições.

Segundo Campos (1999, p.300), atualmente, “o discurso das organizações, inclusive religiosas, se tornou mais eficiente e agressivo, graças à incorporação dos avanços tecnológicos da mídia televisiva e radiofônica”.

Isso significa dizer que atualmente as organizações religiosas possuem o poder de persuadir grande número de pessoas por meio da televisão e do rádio, em que usam de vários mecanismos de comunicação para alcançar este fim, os quais vão desde promessas de vida abundante na terra, até apresentação de exorcismos, e entrevistas ao vivo com pessoas possessas.

Para Campos (1999, p.311) a retórica ocupa um importante lugar nos processos de troca, simbólicas ou não, estabelecidas pelos seres humanos. Afinal de contas, o homem é um ser criador e intercambiador de símbolos, e consegue também direcionar seus discursos para determinados objetivos e auditórios, previamente selecionados. Nesse contexto, na busca retórica para persuadir o expectador, usam-se também as palavras como se fossem armas de guerra, moedas de intercâmbio, na forma de slogans e palavras de ordem.

Uma guerra que pode chegar as vias de fato, e tomar proporções públicas, tais como a de 1995 entre IURD x Globo.

Sobre ela nota-se que na capa da Folha Universal[8] (24/9/1995) foi publicada uma montagem fotográfica, na qual foram colocados chifres na cabeça do ator Edson Celulari, o qual na mini-série chamada “Decadência”, desempenhava o papel de um pastor corrupto chamado “Mariel Batista”, que por sua vez despertou a ira de Edir Macedo, líder da Igreja Universal, que viu no personagem “Mariel Batista” uma provocação da rede Globo[9] (Veja a chamada no Youtube dessa mini-série: http://br.youtube.com/watch?v=RAozLOi0uIM ).

Coincidentemente Mariel é o nome do autor desse artigo, e Batista é a sua confissão de fé, entretanto nesse caso não é percebida qualquer provocação da Rede Globo, afinal a crítica feita naquela mini-série, que foi obrigada a sair do ar, era destinada somente aos pastores corruptos, os quais usavam a fé retoricamente para persuadir os fieis.

Entretanto possívelmente IURD usou desse clima de guerra para se promover, sendo observado que isso contaminou até o discurso dos pastores da Igreja Universal, levando-os a tratarem os defensores de outros grupos religiosos, com desdém, ironia, e até violência simbólica, tal como o caso bispo Von Helder, o qual ficou conhecido como o “bispo que chutou a santa”, por causa dos “chutes” que deu ao vivo pela Tv Record, em uma imagem de gesso de Aparecida(CAMPOS, 1999, p.315). E também por Caio Fábio, o qual era estigmatizado inclusive em charges da Folha Universal, aparecendo com o logotipo da Globo pregado na roupa, e chamado de “pastor da Globo”(Folha Universal, 7/1/1996).

Segundo uma matéria publicada pela revista Veja, em 29 de setembro de 2004, nos últimos anos, uma parcela das igrejas evangélicas têm adotado um novo e eficientíssimo modelo de expansão. Conhecido como igreja de células.

A matéria classificou esse modelo de administração eclesiástico como “uma espécie de franquia da fé, com forte apelo de marketing e truques que parecem tirados dos manuais de técnicas de venda porta a porta”.

Veja explica que “o sistema se baseia na multiplicação do número de fiéis organizados em grupos de doze pessoas. Cada um desses grupos forma uma célula. A função primordial de cada célula é atrair fiéis em quantidade suficiente para gerar uma célula nova. Seguindo esse modelo, já foram implantadas no Brasil, nos últimos quatro anos, cerca de 30.000 novas igrejas, expansão só vista antes com o assombroso crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus. O sucesso começa a incomodar as lideranças de duas das maiores denominações do país – a própria Universal e a Assembléia de Deus. A igreja de células, que reúne adaptações importadas da Colômbia e da Coréia do Sul, já é considerada uma das cinco maiores forças do meio evangélico”.

Caixa de texto:  Esta matéria também diz que o segredo do sucesso da "visão celular", como também é conhecida, está numa combinação infalível: o boca-a-boca entre os fiéis e um rígido controle de metas. Cada novo membro da igreja de células deve, no prazo de um ano e meio, tornar-se um líder e formar o próprio grupo de doze integrantes. Para isso, é orientado a arrebanhar fiéis entre parentes, colegas de trabalho ou de faculdade, exatamente como fazem os especialistas em venda direta. Outro ingrediente importante da receita são os encontros para evangelização e formação de líderes, geralmente cercados de sigilo. Em alguns dos encontros de fim de semana, os fiéis são recebidos com festa e fogos de artifício e mantidos incomunicáveis nas primeiras 24 horas. Eles também são instruídos a não contar nem aos parentes mais próximos o que é ministrado nas reuniões. Cria-se, então, a curiosidade, a fim de que outros fiéis também se sintam estimulados a participar dos próximos encontros. Marketing puro.

E Veja continua dizendo que o modelo tem sido muito criticado pelas hostes rivais, que vêm perdendo não apenas fiéis, mas também valiosos dízimos. "Eles tentam fazer uma reengenharia do Evangelho, perseguindo o crescimento a todo custo", diz Silas Malafaia, pastor de uma das principais lideranças da Assembléia de Deus, a maior igreja do país, com quase 50% de todo o rebanho evangélico.

Independente da tendenciosidade das matérias publicadas pela revista Veja, nota-se que Silas Malafaia, que em 2004 criticava o G12, em 2008 apresenta-se unido a René Terra Nova, conforme matéria publicada em 15 de fevereiro de 2008 no site MIR12[10].

3. AGINDO EFETIVAMENTE NA REALIDADE

Entretanto diante de tanto crescimento e disputas internas da igreja evangélica brasileira, no contexto geral, não se verifica nenhum avanço na diminuição da desigualdade sócio-racial entre negros e brancos pobres desde o início da década de 1980.

Dados revelam que o maior rendimento médio mensal familiar foi registrado quando a pessoa de referência era espírita (R$ 3.796,00), enquanto nas pertencentes à evangélica pentecostal era o menor (R$ 1.271,00). Entre católicos apostólicos romanos, o rendimento correspondia a R$ 1.790,56.

Caixa de texto:  Isso significa dizer que entre as pessoas com orientação evangélica, espírita e católica, são os evangélicos, que apresentam a menor renda familiar.

Contudo o estudo, baseado na POF 2002-2003, concluiu que famílias em que a pessoa de referência pertencia às religiões evangélicas elas apresentaram os maiores percentuais de despesas. Os gastos neste grupo, como pensões, mesadas e doações – que incluem, entre outros itens, dízimo e outras contribuições às igrejas – foram os mais elevados, variando entre 21,4% (R$ 22,79) a 34% (R$ 59, 16).

Isto é, o povo evangélico ganha pouco, gasta muito, e especialmente em contribuições financeiras para a instituição religiosa.

Porém embora ela apresente grande crescimento numérico, o que se tem feito com os recursos angariados, sobretudo em favor dos pobres do país?

Percebe-se que os investimentos do pentecostalismo brasileiro ainda estão reduzidos à implementação de impérios religiosos, à aquisição de emissoras de rádio, TV e a luxuosos templos. Tirando raras exceções, este é o relatório financeiro observável, pois investe-se tempo e recursos nos movimentos de difusão e marketing modernos, mas pouco em efetivas obras de transformação da realidade brasileira. E mesmo quando se trata desse assunto dentro do pentecostalismo brasileiro, esse ainda pensa em promover apenas ações paternalistas, tal como distribuição de cestas básicas, como se isso resolvesse de fato o problema social apresentado.

Não se observa uma preocupação com o mundo, afinal para essas pessoas, “o mundo jaz no maligno”, por isso ele não merece atenção e o cuidado do crente, pois esse irá em breve morar no céu.

Ações ambientais ainda são pouco discutidas, mesmo diante dos desastres eminentes derivados do aquecimento Global. Nota-se que desde o Éden, o mecanismo de atribuir à culpa ao outro está presente, e dessa forma observa-se que o mundo responsabiliza o cristianismo pela realidade, e o pentecostalismo responsabiliza o mundo e os demônios.

Entretanto questiona-se qual tem sido a ação efetiva dos seres humanos, independente da confissão religiosa (ou não-religiosa), em favor dos próprios seres humanos e do meio ambiente no qual eles vivem.

Observa-se atualmente a ação de ministérios para-eclesiásticos, os quais não se encontram diretamente ligados a nenhuma denominação, mas possuem uma proposta de transformação a partir do emprego de uma Batalha Espiritual.

Pode-se citar no Brasil o Ministério Ágape Reconciliação de Neuza Itioka, que influenciada por Peter Wagner(EUA), desenvolve o trabalho de Batalha Espiritual a mais de 15 anos no país, contra principados, potestades e estruturas sociais, as quais julgam estar demonizadas, ou sob influência Satânica, em que Umbandistas, Candomblecistas, e até Católicos são colocados ao lado de Satanistas, e outras minorias religiosas, como servos do engano.

Devido a tal visão de mundo, o exorcismo e a quebra de maldições passadas se torna a porta de entrada para se adquirir uma vida saudável. Isso se reflete bastante na prática do pentecostalismo brasileiro e outros ministérios para-eclesiásticos.

A palavra “exorcismo” vem do grego exorkismós e significa afugentar, esconjurar em nome da divindade os espíritos maus que habitam pessoas, animais, coisas ou estruturas sociais. O exorcismo só faz sentido num quadro conceitual, em que aceita a possibilidade da possessão ou demonização de algo. Então é porque há possessão de pessoas por espíritos considerados maus, que se admite a necessidade de expulsa-los. O exorcismo é encarado como uma intervenção ordenadora de alguém, cujo poder é aceito como legítimo, ao mesmo tempo em que é também expressão de uma luta mais ampla, ao redor da submissão do ser humano a um tipo de poder.

Desse modo entende-se que exorcizar é libertar, mas libertar quem, e do que?

Essa suposta Guerra Espiritual que nas últimas décadas tem sido travada no Brasil não tem sido capaz de alterar dados tão importantes tal como o da desigualdade sócio-racial.

O ministério profético brasileiro se restringiu a profetizar vida abundante, ou então desgraças sobre um infiel das sãs doutrinas, a fim de persuadi-lo a permanecer fiel às organizações chamadas de Igreja, ou também de “obra de Deus”.

Quero dizer que não sou contra o pentecostalismo, afinal creio na manifestação dos dons do Espírito Santo, assim como creio também na existência de uma guerra espiritual contra espíritos imundos, tal como se observa nos evangelhos, o próprio Cristo desempenhado tal ministério.

Entretanto o presente artigo busca denunciar os mecanismos de persuasão, os quais apresentam o crescimento numérico e os supostos “bons frutos”, como sinal da aprovação divina.

Denunciam-se também as incoerências, as disputas internas pelo poder, as promessas da teologia da prosperidade, e as inúmeras guerras espirituais empreendidas em nome de Deus no Brasil, mas que o próprio tempo tem se encarregado de mostrar a deficiência, insuficiência e inadequação de tais práticas, as quais não coadunam com o evangelho de Cristo.

CONCLUSÃO

Ser evangélico é crer, e praticar o evangelho. Ser Cristão é imitar a Cristo. E ser pentecostal é se abrir para a manifestação dos dons do Espírito Santo, sem apelar para escapismos..

Ser profético é ver a realidade, julga-la pelas escrituras e denuncia-la afim de que haja arrependimento e transformação efetiva; E empreender a verdadeira guerra espiritual é muito mais do que executar exorcismos e encenações proféticas, mas também agir em favor dos empobrecidos de 2/3 do mundo, os quais não podem ser sujeitos da sua história, pois estão presos ao regime de escravidão-livre, que lhes foi imposto pela alienação do próprio ser humano.

Uma alienação que se realiza em todas as instâncias existenciais: Alienação do ser humano em relação ao próximo, em relação a si mesmo, em relação a Deus, e em relação ao meio ambiente. E de nada adianta empreender guerras espirituais contra demônios e estruturas sociais, se a alienação como pecado, não for extirpado do coração do ser humano, a qual não desaparece com uma membresia denominacional, mas sim com a iluminação do evangelho da Graça e o conhecimento de Cristo.

Somente pregando e praticando o evangelho da Graça, é que efetivamente o Cristão será sal e luz do mundo, pois do contrário, ele fará muito, mas sem nunca alcançar coisa alguma. Se não for pela práxis da Graça, nossas marchas para Jesus, não passam de um desfile público de evangélicos. Nossos atos proféticos não passam de mera encenação. Nossas declarações proféticas não passam de verborragias, e nossas batalhas espirituais não passam de prepotências e arrogâncias que dão vazão aos preconceitos religiosos.

Sem Ele nada é possível fazer, e ainda que permeados de boas intenções, se não for mediante a prática do evangelho da Graça, fica-se preso em correntes de barganhas com Deus, e por isso, muitos são escravizados por organizações, apóstolos, bispos, pastores, missionários, etc...

A realidade apresenta-se perante a Igreja, e se essa não buscar efetivo engajamento transformador no mundo, perderá a sua própria identidade, pois ser Igreja é ser chamada para fora. Ser Igreja é ser chamada para fora de si, aberta ao diálogo, indo ao encontro com o Outro, entregando-se por amor dele, ainda que esse não seja digno de recebe-lo. Ser Igreja é ser chamada para agir no mundo inclusivamente como sal e luz, isto é, cuidando em amor da Terra (Gn 2:15) e iluminando com o evangelho da Graça os caminhos de toda criatura (Mc 16:15).

Portanto a batalha da Igreja é real por dois motivos. É real, pois parte da realidade, e também porque essa batalha já é do Rei dos reis, o qual foi ungido pelo Espírito do Senhor para evangelizar os pobres; para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor (Lc 18:18-19). Eis aí a realeza e a realidade da batalha de Cristo e Sua Igreja.

 

 

 

Na realeza e realidade da batalha de Cristo

Mariel Marra

BIBLIOGRAFIA:

A HISTÓRIA DA LAGOINHA, Lagoinha.com. disponível em: < http://www.lagoinha.com/engine.php?pag=art&secpai=12&sec=54&cat=356&art=4312 >, acessado em 1 de junho de 2008.

 

ATLAS RACIAL BRASILEIRO. PNUD/IPEA/FJP, 2005. Disponível em: http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_racial.

 

CAMPOS, Leonildo Silveira, Teatro, Templo e Mercado: Organização e marketing de um empreendimento neopentecostal, Vozes: Petrópolis, 1999.

 

DECADÊNCIA (MINI-SÉRIE). Wikipédia: a enciclopédia livre. disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Decad%C3%AAncia_(miniss%C3%A9rie)>. acessado em: 3 de junho de 2008.

 

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2000. Disponível em: http://www.ibge.gov.br.

 

LIMA, Mônica. História da África: Temas E Questões Para A Sala De Aula. In: Cadernos PENESB, Niterói, n7, p.68-101,novembro 2006.

TERRA NOVA E MALAFAIA, PELA UNIDADE DO REINO, FAZEM CONGRESSO EM BRASÍLIA, disponível em: <http://www.mir12.com.br/br/index2.php?pg=ZW50cmV2aXN0YQ==&id=%2048>, acessado em 2 de junho de 2008.

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09 Setembro. 2007 - Palhaços ou Profetas?

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06 Junho. 2007 - Rastros do Oculto - A doutrina satânica dos selados

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16 Abril. 2007 - Resposta do Ministério Ágape Reconciliação aos questionamentos sobre suas práticas fora das escrituras

http://www.guerreirosdaluz.com.br/respostadoministerioagapereconciliacao.htm

 

09 Março. 2007 - Curso de Libertadores: Uma análise bíblica e teológica sobre a prática de libertação no Ministério Ágape Reconciliação

http://www.guerreirosdaluz.com.br/analisebiblicadapraticadoagape.htm

 

Trecho do novo dvd de Caio Fábio chamado "Caio Fábio conta tudo"

http://www.youtube.com/watch?v=TDI0vCV4cUU

 

2º trecho do novo dvd de Caio Fábio chamado "Caio Fábio conta tudo"

http://www.youtube.com/watch?v=sX8XHSC8mEg

 

Batalha Espiritual / Caio Fábio

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhaespiritual-caiofabio.htm

 

Batalha Espiritual e o Erotismo / Ms Daniela Bessa

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhaespiritualerotismo.htm

DOWNLOAD DESTE ARTIGO:

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhareal.doc

ORKUT

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=866901

 



[1] Mariel Marra é bacharel em Teologia(2008) pelo centro universitário metodista Isabela Hendrix, membro da Igreja Batista da Lagoinha, servindo nessa congregação como diácono. Também trabalha na internet e outros meios de comunicação, contribuindo para uma reflexão salutar da Fé Cristã, chamando a todos ao equilíbrio e moderação em Cristo. Para convites e outras informações: marielmarra@gmail.com

[2] http://www.pnud.org.br

[3] Indivíduos com renda domiciliar per capita inferior à linha de pobreza de R$ 75,50

[4] Fontes de dados e períodos: Censo Demográfico: 1980, 1991 e 2000 / PNAD: 1982, 1986 a 1990, 1992, 1993, 1995 a 1999, 2001 a 2003

[5] http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_racial/

[6] Indivíduos com renda domiciliar per capita inferior a R$ 37,75

[7] A História da Lagoinha, LAGOINHA.COM. disponível em: < http://www.lagoinha.com/engine.php?pag=art&secpai=12&sec=54&cat=356&art=4312 >, acessado em 1 de junho de 2008.

[8] Jornal de distribuição gratuita da Igreja Universal do Reino de Deus

[9] Decadência (mini-série). Wikipédia: a enciclopédia livre. disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Decad%C3%AAncia_(miniss%C3%A9rie)>. acessado em: 3 de junho de 2008.

[10] Terra Nova e Malafaia, pela unidade do Reino, fazem Congresso em Brasília, disponível em: <http://www.mir12.com.br/br/index2.php?pg=ZW50cmV2aXN0YQ==&id=%2048>, acessado em 2 de junho de 2008.